sábado, 14 de fevereiro de 2009

Capítulo 28: Penso, logo...


Ao ser humano é possível dominar suas ações. Mas parece impossível dominar o pensamento, o máximo que se pode fazer é “educá-lo”, o pensamento inconveniente surge espontaneamente como por vontade própria, você pode tentar censurá-lo, pedir educadamente para não pensar novamente o que pensou, dizer que não quer ouvir mais tais pensamentos, explicar porque não é certo... Mas o pensamento é uma criança e cedo ou tarde, irá novamente incomodá-lo.

O pensamento é uma “entidade” autônoma e espontânea. Quer pensar e pensa simplesmente. Não interessa se pode ou não. O pensamento pode torturá-lo se assim quiser, pode levá-lo à loucura, ao suicídio, ou fazer você simplesmente flutuar nas nuvens quando não deveria. Mas as suas ações você pode tentar controlar, embora existam pessoas que cometem atos não aceitáveis pela sociedade (suicídio, homicídio e atrocidades diversas), o que nos permite pensar que tais atos não foram “racionais” e sim meramente “emocionais”, ou seja, quando ocorre um desequilíbrio entre a razão e a emoção, com o predomínio da segunda, o ser perde o poder de julgamento entre o certo e o errado. A ação, sem a razão, é, talvez, o que dizem ser a loucura. E ação sem a emoção, torna-te um ser “frio”, também capaz de cometer atrocidades. O equilíbrio é fundamental em tudo.

Quando se diz “agir sem pensar” significa o mesmo que agir sem ouvir a voz da razão. O pensamento, quando não traiçoeiro, te dá opções para o “agir”, caminhos disponíveis para você seguir em suas ações. Agir após pensar permite o diálogo entre “você” e o seu “pensamento”. Aprenda a conversar com você mesmo (ou com o seu pensamento). A decisão de suas ações é sempre “sua”. O pensamento é o seu conselheiro, você é quem decide! Quando você não quer ver, apenas fecha os olhos. Quando você não quer ouvir, tem meios para tanto. Quando você não quer falar, apenas fica mudo. Mas quando você não quer pensar, simplesmente não pensa? Mesmo que você não queira, o pensamento irá surgir de qualquer maneira.

Agora pense: porque eu escrevi sobre isso? Para apenas dizer que pensar não é “pecado” algum. Você pode ter os mais impuros pensamentos, pensar atrocidades, orgias intermináveis, cometer adultérios, trucidar pessoas, “dizer” horrores... Duvidar de pessoas, de dogmas religiosos, de correntes filosóficas, ter crise existencial ou sei lá o que vier a pensar... Porque o pensamento você não domina, você não diz “eu quero pensar em...”. Eu quero, por exemplo, acreditar convincentemente na existência de Deus, mas o meu pensamento ainda não me convenceu. Vou para inferno? Se eu fosse capaz de colocar em prática tudo o que eu penso, a humanidade já estaria extinta!

1 comentário(s):

Bailarina disse...

E se apenas não pensássemos?!

Morro de pensar, pensar e viver ultimamente têm me deixado louca...Eu penso demais, será que logo, existo demais?!

E há dias em que eu canto para o meu pensamento...’Pai, afasta de mim este cálice...’

Estamos em sintonia...Postei no Ulisses esta semana algo sobre o pensamento!

Bjo grande,



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