Participei, faz alguns anos, da publicação de um jornal universitário. Assim como tudo na vida, muitas dificuldades foram combatidas para fazer possível a sua realização. Reservei alguns exemplares especialmente para uns amigos e assim convidá-los a participarem das possíveis próximas edições. A aprovação geral foi positiva. Exceto se não fosse pelo comentário de um desses amigos... A princípio ele aprovou a iniciativa, mostrando-se interessado em contribuir com seu vasto conhecimento de mundo e senso crítico. Mas o meu orgulho em dizer que era uma publicação com tiragem próxima a vinte mil exemplares, a sua decepção foi audível: “só?”. Desde então, rejeitou aquele jornalzinho mixuruca de quinta categoria...
Tenho alguns amigos escritores. Podem não ter o reconhecimento do mundo, mas têm o meu mais verdadeiro reconhecimento. São pessoas talentosas que publicam sua arte por vias alternativas, sem editora, sem nenhum crítico de O Globo dizendo adjetivos do tipo esplendoroso, sensacional, espetacular... Estive em um lançamento de um livro que teve uma tiragem de “apenas” – como diria aquele amigo – cinco mil exemplares. Para esse escritor foi uma vitória. Ter sua obra publicada e lida por tanta gente é um privilégio de poucos. Quer dizer... Como assim “tanta gente”?!
Meu tataravô se estivesse ainda vivo certamente iria me dizer que vinte mil exemplares lá por volta dos anos 1900, era mais que o suficiente para atingir uma grande cidade no período. Isso na idade da pedra da imprensa nacional. Mas hoje, vinte mil exemplares é muito pouco! Meu tataravô acabou de me enviar um e-mail do além dizendo isso... Muitos escritores, do passado, não tinham leitores aos montes e eram poucos os que realmente ficavam ricos. Mas isso não era um desmotivador para sua expressão artística. O sucesso para muitos veio postumamente.
Muitos acabam desistindo de fazer algo por considerar que não terão “futuro”. Muitos deixam de iniciar uma banda de música porque acham que nunca irão ficar famosos. Muitos desistem de escrever livros porque têm plenas convicções de que eles jamais serão publicados por uma editora. Muitos nem tentam desenvolver algum projeto que realmente lhe der algum tipo de prazer simplesmente porque sabem que não terão o reconhecimento “merecido”.
Decepcionante. Que futuro pode ter um escritor que teve publicado apenas cinco mil exemplares de seu livro? Quando as pessoas falam em “futuro” relacionam apenas a “altas lucratividades”. Quando diz “você não terá futuro” a tradução é exatamente “você não ficará rico”. Uma banda de música pode ser sucesso absoluto no botequim da esquina. Se vier a ser, um dia, sucesso absoluto e mundialmente conhecida, terá sido mera conseqüência... Pense nisso, antes de abortar uma nova idéia. Façamos simplesmente arte, sem esperar recompensas.
N.do.A.: Este blog estará completando 1 ano dia 13 de janeiro, chegando assim, ao seu fim. Quando comecei nao esperava escrever tantas páginas e não sei se haverá inspiração para tantas mais...
Tenho alguns amigos escritores. Podem não ter o reconhecimento do mundo, mas têm o meu mais verdadeiro reconhecimento. São pessoas talentosas que publicam sua arte por vias alternativas, sem editora, sem nenhum crítico de O Globo dizendo adjetivos do tipo esplendoroso, sensacional, espetacular... Estive em um lançamento de um livro que teve uma tiragem de “apenas” – como diria aquele amigo – cinco mil exemplares. Para esse escritor foi uma vitória. Ter sua obra publicada e lida por tanta gente é um privilégio de poucos. Quer dizer... Como assim “tanta gente”?!
Meu tataravô se estivesse ainda vivo certamente iria me dizer que vinte mil exemplares lá por volta dos anos 1900, era mais que o suficiente para atingir uma grande cidade no período. Isso na idade da pedra da imprensa nacional. Mas hoje, vinte mil exemplares é muito pouco! Meu tataravô acabou de me enviar um e-mail do além dizendo isso... Muitos escritores, do passado, não tinham leitores aos montes e eram poucos os que realmente ficavam ricos. Mas isso não era um desmotivador para sua expressão artística. O sucesso para muitos veio postumamente.
Muitos acabam desistindo de fazer algo por considerar que não terão “futuro”. Muitos deixam de iniciar uma banda de música porque acham que nunca irão ficar famosos. Muitos desistem de escrever livros porque têm plenas convicções de que eles jamais serão publicados por uma editora. Muitos nem tentam desenvolver algum projeto que realmente lhe der algum tipo de prazer simplesmente porque sabem que não terão o reconhecimento “merecido”.
Decepcionante. Que futuro pode ter um escritor que teve publicado apenas cinco mil exemplares de seu livro? Quando as pessoas falam em “futuro” relacionam apenas a “altas lucratividades”. Quando diz “você não terá futuro” a tradução é exatamente “você não ficará rico”. Uma banda de música pode ser sucesso absoluto no botequim da esquina. Se vier a ser, um dia, sucesso absoluto e mundialmente conhecida, terá sido mera conseqüência... Pense nisso, antes de abortar uma nova idéia. Façamos simplesmente arte, sem esperar recompensas.
N.do.A.: Este blog estará completando 1 ano dia 13 de janeiro, chegando assim, ao seu fim. Quando comecei nao esperava escrever tantas páginas e não sei se haverá inspiração para tantas mais...

4 comentário(s):
como assim vai acabar??? :O
Q história é essa?
Terá coragem vc de deixar os seus leitores e fãs órfãos de suas idéias e filosofias?
Ou será q teremos o prazer de sermos arrebatados futuramente por um novo projeto/blog?
No aguardo.
bjs
acabar?
Logo agora que rendi ao seu blog!
Fim???????????? Nem pensar!
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