quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Capítulo 20: Não Errarás...


São raras as ocasiões em que meus erros serviram-me de lição. Não que eu não aprenda com meus erros, mas é que meus erros são todos inéditos, de modo que um erro não me ajuda em outros erros, as situações dificilmente se repetem. Eu até aprendo... E são tantas as lições que chega a doer na alma. Minha vida é simplesmente uma sucessão de erros, erro após erro. Nenhum erro igual ao outro... Nenhuma ocasião que me permita dizer algo como “hei, eu já cometi esse erro antes, dessa vez vou acertar” (ou errar de maneira diferente). As lições dos erros são, majoritariamente, descartáveis. Se me servem mesmo de lição são apenas para me causar traumas ou para me ajudar a tirar zero nas inúmeras provas da vida...

Nossos pais cometeram muitos erros no passado. E para mostrar que realmente aprenderam com os erros, mas não têm uma aplicação prática em suas vidas, eles procuram passar essas “lições” para seus filhos... Os erros nostálgicos dos nossos pais transformam-se em conselhos de verdadeiros sábios! Eles não querem que cometamos erros, principalmente os mesmos erros que eles cometeram [eu já vi esse filme...], mas a gente precisa errar também para criar nossos próprios traumas e depois levar alguns anos fazendo terapia ou esperar o filhinho crescer para... Você já sabe...

Decisões erradas podem custar um tempo precioso e certamente irrecuperável da sua vida. Aprenda que tempo perdido a gente jamais recupera [devido à impossibilidade técnica de voltar no tempo]. Decisões erradas podem custar muito dinheiro, podem custar vidas de outras pessoas [ou a sua própria], pode fazer com que você perca o sentido da vida, causar medo ou talvez frustração, fazer com que você comece a enxergar um mundo cinzento, de gosto amargo, transformando você num “rabugento” pessimista do tipo que quando se depara com alguma situação começa dizendo “Ih, sei não, isso não vai dar certo...”.

Decisões são atentados que cometemos na vida. Somos terroristas de nós mesmo, pois, inevitavelmente estamos constantemente decidindo e julgando entre o que é certo e o que é errado, o que devemos fazer ou não fazer, quem é e quem não é... É impossível prever confortavelmente se nossas decisões podem dar certo, há quase sempre riscos. Entre decidir e não decidir, qualquer que seja a sua opção, se decidir não decidir, já está decidindo, a própria omissão é uma decisão.

Muitas de nossas decisões são tomadas de maneira automática, algumas devido ao nosso perfil, vinculadas aos nossos atributos [ver capítulo anterior], ou seja, se você é uma pessoa que preza por sua higiene pessoal, ao acordar num dia chuvoso, tomará banho independentemente da chuva. Mas se o seu atributo higiene for insuficiente, optará por não tomar banho. Uma pessoa derruba um objeto qualquer próximo a você, se você é possuidor do atributo “gentileza” automaticamente tomará a decisão de se abaixar para pegar o objeto, do contrário não se importará ou então irá ser tardio [pois levará certo tempo para decidir se pega ou se não pega]. Acredito que esses dois exemplos sejam suficientes...

Então, reforçando o que escrevi anteriormente, nossas decisões estão vinculadas às nossas personalidades, portanto, há decisões que tomamos de maneira inconsciente [automáticas], porém inteligente, há decisões em que temos que ponderar, medir riscos, algumas necessitando de poucos segundos para agir ou não agir [o que fazer mediante a abordagem de um assaltante?], outras podem permitir um tempo maior de reflexão, talvez permita pesquisas e um estudo mais aprofundado [mudar ou não mudar de emprego?], e há as decisões inconseqüentes, irracionais, cometidas num dado momento de explosão... [o momento em que você dá um murro em alguém durante uma discussão];

Mas todas essas decisões há sempre chances de ser ou de não ser a sua melhor opção. E nem sempre as decisões são do tipo “opção A: vai pela esquerda e não pega engarrafamento” e “opção B: vai pela direita e trava no trânsito”, às vezes as opções podem ser do tipo “opção A: vai pela esquerda e pega engarrafamento” e “opção B: vai pela direita e também pega engarrafamento”. É o mesmo princípio de “a fila do lado é mais rápida” quando estamos num supermercado... Pode ser, pode não ser... Na dúvida, decida!

Nossas decisões dependem do nosso grau de autoconhecimento e principalmente do grau de conhecimento do objeto ao qual temos que tomar a decisão. Há algumas semanas uma pessoa me perguntou: “você acha que eu devo comprar Dólares?”. Talvez estivesse apenas fazendo uma pesquisa de opinião ou simplesmente confiando em minha capacidade analítica de mercado ou vidência. Eu respondi: “você tem que analisar o mercado, estudar as ultimas cotações, pesquisar... Pergunte a alguém que entenda melhor”. Na insistência da pessoa, respondi “eu não compraria porque acho que o Dólar não vai subir tão drasticamente”. Dei essa resposta simplesmente porque fui pressionado a responder e como não tinha dados do mercado, errei na previsão... Se ela tivesse investido no Dólar, teria uma lucratividade excelente.

Portanto, é preciso medir riscos de maneira inteligente antes de tomar certas decisões. Se você vai escalar uma montanha e não sabe absolutamente nada, as suas chances de se dar mal são enormes, nesse momento a sua “autoconfiança” apenas não passa de uma espécie de “fé religiosa” [vai acreditando que sozinho você é capaz ou então vai acreditando que Deus estará contigo]. Contudo, se você estiver acompanhado por uma pessoa que entenda do assunto, os riscos de você se dar mal diminuem, mas ainda é existente [o cabo de segurança pode partir no meio da montanha ou uma avalanche aniquilar os dois]. Mas se você acha que a melhor opção seria então “não escalar a montanha”, pode estar enganado! Se não escalar a montanha não terá a “emoção de escalar a montanha”. A melhor opção nesse exemplo é “escalar a montanha com um profissional experiente”. Mas talvez eu esteja enganado, quem sabe a melhor opção não seja “escalar a montanha sozinho”?! O risco é maior sim, as chances de você morrer é enorme, mas... E se você conseguir?! Será sensacional, obterá fama, prestígio e uma série de “sei lá o que”! Você tem que ser capaz de analisar riscos de maneira racional, às vezes a intuição ajuda [no exemplo da montanha pode ser mais emocionante], mas a racionalidade ainda é mais seguro...

Um princípio Cristão: arrependei-vos de seus erros! Se arrependimento matasse você já estaria morto? Não errarás jamais, agora passaremos a dizer simplesmente "se arrependimento morresse, eu já o teria matado". Já sofremos com nossos erros, não precisamos sofrer morrendo de arrependimentos... Quem nunca cometeu um erro que me atire uma nota de cem dólares!

N.do.A.: Achei melhor trocar “a primeira pedra” por “cem dólares” por questões de segurança, vai que algum santo me atira uma pedra?!

3 comentário(s):

anafilatico disse...

Rico, achei muito interessante a sua reflexão. Concordo quando você diz que nossas decisões (e conseqüentemente nossos erros) são direcionadas pelo perfil psicológico de cada um. E ter auto-conhecimento e saber das nossas vulnerabilidades e fraquezas é o ponto principal para evitar tais erros que “podem custar um tempo precioso e certamente irrecuperável da sua vida”. Porém, medir riscos pode te afastar de algo que é fundamental ao homem que é o livre-arbítrio.

Cinara Lisboa disse...

Concordo qdo diz que a gente sempre erra de uma maneira diferente...

Mas acredito que a gente aprende com os nossos erros - Nem que seja pra não cometer os mesmos...A questão é aprender e deixá-los para trás...Passou.

Adorei a nota de U$$ 100,00!

Bjks,

Anônimo disse...

Suas "sacações" são todas muito boas e inéditas. Acredito como vc e Oscar (Wild)que erros não agregam valor à maturidade, até porque ocorrem num determinado tempo da vida em que somos distraídos o suficiente para entendê-lo e se, ocorre novamente, somos velhos demais para lembrá-lo...
Parabéns! Tornei-me sua leitora.