Se você perguntar a mil pessoas individualmente "quem é você?", obterá mil respostas diferentes e talvez nenhuma objetivamente satisfatória. Uns dirão a sua profissão [eu sou professor], outros dirão o seu estado de espírito [sou uma pessoa calma], alguns irão filosofar a cerca do existencialismo do ser [entre o ser e o não ser, o que sou?], falarão de doutrinas religiosas [sou um filho de Deus, um ser abençoado...], alguém irá resgatar suas raízes [sou filho de um homem árabe] e quem sabe algumas pessoas consigam até escrever um livro na tentativa de responder quem realmente são.
A resposta para o "quem é você?" é importante para quem e para quê? Depende apenas de quem pergunta... Se você está numa entrevista de emprego, "quem é você?" quer uma resposta que se prenda a atributos desejáveis à vaga em questão [sou um profissional competente, proativo, que sabe respeitar prazos etc.], ou seja, é importante responder verdadeiramente aquilo que o seu interlocutor deseja ouvir ou então experimente dizer algo como "sou romântico, bom de cama...", talvez isso responda também à pergunta formulada, mas não é aceitável dentro do contexto.
Ou seja, entre o "alpha e o ômega" há "n" possibilidades que podem ser utilizadas para responder à pergunta, dependendo de quem perguntou você vai moldando a resposta, optando por algumas informações, ocultando outras, fantasiando algumas... Vou te ajudar a responder a essa pergunta de maneira simples: como nos jogos de RPG, você é apenas uma série de atributos, uns positivos, outros negativos... E você sabe quais são os seus atributos? Se você consegue saber cada um dos seus atributos, conseguirá determinar até que ponto você pode ser, por exemplo, "dissimulado", aceitando não como um fator negativo, mas em seu benefício.
O autoconhecimento pode levá-lo a uma visão deturpada de si próprio por não corresponder à "realidade". O autoconhecimento talvez cause certo desespero na pessoa, conhecer verdadeiramente quem "eu sou" e não quem "supõe ser". Por exemplo, alguém tenta irritar uma pessoa extremamente calma, até que ponto essa pessoa conseguirá manter-se em equilíbrio? Será que em algum momento essa pessoa se tornará altamente agressiva? Estaria vivendo então uma espécie de "farsa" caso a agressividade viesse a aparecer? Ou talvez apenas o atributo "calma" dessa pessoa, numa escala de zero a dez, seja cinco e o atributo "agressividade" seja oito. Contudo, para o atributo "agressividade" vir à tona, é necessário que o atributo "calma" tenha ultrapassado o seu limite... Então, essa pessoa se tornará um "serial killer" em potencial...
Mas não somos seres primitivos, existe raciocínio, podemos controlar nossos instintos. Uns conseguem controlar até o extremo, outros não [pavio curto]; Do contrário, agiríamos feito animais: se estamos com raiva ficamos agressivos, se estamos com medo ficamos arredios... A dissimulação é algo que podemos controlar. Você conhece o seu atributo "autocontrole"? De zero a dez, como você avalia o seu atributo "agressividade"? Ou o seu atributo "calma"? Qual a sua capacidade de mediar conflitos [de zero a dez], até que ponto você consegue permanecer à deriva no mar? [atributo resistência], como julga a sua capacidade de aprender? Faça um teste, tente levantar ao máximo o número de atributos possíveis que você acredita possuir e avalie essas suas capacidades.
Se você tem um atributo que julga ser negativo, como, por exemplo, a timidez, pode criar um mecanismo para "burlar". Por que você é tímido? Não seria porque há outros atributos negativos contando pontos como o "medo" ou "insegurança"? E por que há esse atributo "medo"? Medo de falar em público? Medo de parecer ridículo? Medo que julguem você? Por que você teria medo de falar em público? Por que não sabe o que falar? E por que isso ocorre? Assim, você vai traçando um esquema que irá permitir chegar até o mais próximo da raiz desse seu atributo negativo...
Eu tinha um problema grave com o atributo "timidez", tinha medo de apresentação oral em sala de aula. E por que eu tinha esse medo? Eu era um aluno de excelentes notas, estudava o assunto a fundo, então obviamente saberia o que falar com segurança. Mas o medo existia, era um medo irracional, o medo de fracassar. Então aprendi a fazer essa avaliação, e pesar os prós e os contras. Sabia que não iria fracassar porque tinha domínio sobre o assunto a ser apresentado. Então descobri que esse atributo negativo chamado "timidez" poderia ser eliminado com um atributo positivo chamado "autoconfiança". Quando você é tímido, sempre se coloca "abaixo" das outras pessoas, mas quando você é autoconfiante, o céu é o seu limite.
Durante o colegial, tinha uma atributo positivo chamado “disciplina”. Era um aluno de excelentes notas. Apesar de “CDF” gostava da turma do “fundão”. Nessa época conheci uma pessoa que poderia colocar em risco esse meu comportamento “exemplar” por ser altamente indisciplinado e de notas medianas. Certo dia, fui abordado pela Diretora que, preocupada comigo, pediu-me para me afastar dessa pessoa porque ele era uma péssima influência para mim. Eu imediatamente discordei da Diretora dizendo que ele não era uma péssima influência para mim, porque, em contrapartida, eu era uma ótima influência para ele. E desafiei a Diretora que ele, com a minha companhia, se tornaria um excelente aluno. E foi exatamente o que ocorreu, ele se tornou um “CDF” como eu... A minha capacidade de influenciar pessoas era maior que a minha capacidade de ser influenciado.
Até que ponto influências negativas podem interferir em suas atividades, comportamentos e pensamentos? O autoconhecimento é importante para que você se “defenda” tanto das influencias negativas quanto dos seus atributos negativos. Nesse “RPG”, a sua vida é que está em jogo e não a de um personagem que você projeta como sendo o seu “eu” real. Hei Cinderela: please, start your game now...
N.do.A: Agradecimentos 'in memorian' a minha saudosa amiga Daiene Aguiar. Conversamos sobre esse assunto no dia dia 22 de janeiro de 2008. Espero que tenha gostado do texto :/
A resposta para o "quem é você?" é importante para quem e para quê? Depende apenas de quem pergunta... Se você está numa entrevista de emprego, "quem é você?" quer uma resposta que se prenda a atributos desejáveis à vaga em questão [sou um profissional competente, proativo, que sabe respeitar prazos etc.], ou seja, é importante responder verdadeiramente aquilo que o seu interlocutor deseja ouvir ou então experimente dizer algo como "sou romântico, bom de cama...", talvez isso responda também à pergunta formulada, mas não é aceitável dentro do contexto.
Ou seja, entre o "alpha e o ômega" há "n" possibilidades que podem ser utilizadas para responder à pergunta, dependendo de quem perguntou você vai moldando a resposta, optando por algumas informações, ocultando outras, fantasiando algumas... Vou te ajudar a responder a essa pergunta de maneira simples: como nos jogos de RPG, você é apenas uma série de atributos, uns positivos, outros negativos... E você sabe quais são os seus atributos? Se você consegue saber cada um dos seus atributos, conseguirá determinar até que ponto você pode ser, por exemplo, "dissimulado", aceitando não como um fator negativo, mas em seu benefício.
O autoconhecimento pode levá-lo a uma visão deturpada de si próprio por não corresponder à "realidade". O autoconhecimento talvez cause certo desespero na pessoa, conhecer verdadeiramente quem "eu sou" e não quem "supõe ser". Por exemplo, alguém tenta irritar uma pessoa extremamente calma, até que ponto essa pessoa conseguirá manter-se em equilíbrio? Será que em algum momento essa pessoa se tornará altamente agressiva? Estaria vivendo então uma espécie de "farsa" caso a agressividade viesse a aparecer? Ou talvez apenas o atributo "calma" dessa pessoa, numa escala de zero a dez, seja cinco e o atributo "agressividade" seja oito. Contudo, para o atributo "agressividade" vir à tona, é necessário que o atributo "calma" tenha ultrapassado o seu limite... Então, essa pessoa se tornará um "serial killer" em potencial...
Mas não somos seres primitivos, existe raciocínio, podemos controlar nossos instintos. Uns conseguem controlar até o extremo, outros não [pavio curto]; Do contrário, agiríamos feito animais: se estamos com raiva ficamos agressivos, se estamos com medo ficamos arredios... A dissimulação é algo que podemos controlar. Você conhece o seu atributo "autocontrole"? De zero a dez, como você avalia o seu atributo "agressividade"? Ou o seu atributo "calma"? Qual a sua capacidade de mediar conflitos [de zero a dez], até que ponto você consegue permanecer à deriva no mar? [atributo resistência], como julga a sua capacidade de aprender? Faça um teste, tente levantar ao máximo o número de atributos possíveis que você acredita possuir e avalie essas suas capacidades.
Se você tem um atributo que julga ser negativo, como, por exemplo, a timidez, pode criar um mecanismo para "burlar". Por que você é tímido? Não seria porque há outros atributos negativos contando pontos como o "medo" ou "insegurança"? E por que há esse atributo "medo"? Medo de falar em público? Medo de parecer ridículo? Medo que julguem você? Por que você teria medo de falar em público? Por que não sabe o que falar? E por que isso ocorre? Assim, você vai traçando um esquema que irá permitir chegar até o mais próximo da raiz desse seu atributo negativo...
Eu tinha um problema grave com o atributo "timidez", tinha medo de apresentação oral em sala de aula. E por que eu tinha esse medo? Eu era um aluno de excelentes notas, estudava o assunto a fundo, então obviamente saberia o que falar com segurança. Mas o medo existia, era um medo irracional, o medo de fracassar. Então aprendi a fazer essa avaliação, e pesar os prós e os contras. Sabia que não iria fracassar porque tinha domínio sobre o assunto a ser apresentado. Então descobri que esse atributo negativo chamado "timidez" poderia ser eliminado com um atributo positivo chamado "autoconfiança". Quando você é tímido, sempre se coloca "abaixo" das outras pessoas, mas quando você é autoconfiante, o céu é o seu limite.
Durante o colegial, tinha uma atributo positivo chamado “disciplina”. Era um aluno de excelentes notas. Apesar de “CDF” gostava da turma do “fundão”. Nessa época conheci uma pessoa que poderia colocar em risco esse meu comportamento “exemplar” por ser altamente indisciplinado e de notas medianas. Certo dia, fui abordado pela Diretora que, preocupada comigo, pediu-me para me afastar dessa pessoa porque ele era uma péssima influência para mim. Eu imediatamente discordei da Diretora dizendo que ele não era uma péssima influência para mim, porque, em contrapartida, eu era uma ótima influência para ele. E desafiei a Diretora que ele, com a minha companhia, se tornaria um excelente aluno. E foi exatamente o que ocorreu, ele se tornou um “CDF” como eu... A minha capacidade de influenciar pessoas era maior que a minha capacidade de ser influenciado.
Até que ponto influências negativas podem interferir em suas atividades, comportamentos e pensamentos? O autoconhecimento é importante para que você se “defenda” tanto das influencias negativas quanto dos seus atributos negativos. Nesse “RPG”, a sua vida é que está em jogo e não a de um personagem que você projeta como sendo o seu “eu” real. Hei Cinderela: please, start your game now...
N.do.A: Agradecimentos 'in memorian' a minha saudosa amiga Daiene Aguiar. Conversamos sobre esse assunto no dia dia 22 de janeiro de 2008. Espero que tenha gostado do texto :/

2 comentário(s):
Como sempre, um texto muito bom! Tomei a liberdade de colocar im link pro Acorda, Cinderela! no meu blog novo...
Aliás, dá uma olhadinha quando tiver um tempo!
bjs
Gosto muito dos seus textos. Adorei esse, logo hoje que estou tão pensativa sobre quem realmente sou e se posso aceitar certas mudanças.
Vou colocar um link pro acorda cinderela no meu blog. Espero que não se importe.
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