quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Capítulo 18: Divina loucura


Tudo o que você disser poderá ser usado contra você a qualquer momento. Cuidado com o que você anda dizendo por aí. Regra número um da boa convivência pacífica: evite falar mal de alguém ou de você mesmo. Descubra quem são as pessoas - ou a pessoa - a quem você realmente pode confiar. Há muitos traidores, pessoas que podem machucar você num piscar de olhos. A importância de ser verdadeiro, de dizer somente aquilo que deve ser dito a quem deve ser dito. Quando você fala ao “vento” ele normalmente distorce suas palavras, às vezes intensifica, outras amenizam. Não fale com o “vento”, fale diretamente à pessoa.

Regra número dois da boa convivência pacífica – mas não tão pacífica assim – não permita que ninguém, absolutamente ninguém, grite com você. Entendeu ou quer que eu grite? Se alguém começa a falar em um tom mais elevado que o normal, tenha plena consciência que você não é surdo e imediatamente exija a redução do tom, ou então, conversa encerrada. Seja quem for! Quando alguém tenta discutir comigo em tons ameaçadoramente gritantes, me transformo em um robô e começo a repetir pausadamente e tranquilamente “não grite comigo, está entendendo? Não grite comigo, repetindo, não grite comigo...” e vou aumentando o tom da voz gradativamente até por fim gritar com a pessoa “não grite comigo está entendendo ou quer que eu divida a sua boca em dez pedaços?”. Essa parte agressiva ainda não tive oportunidade de dizer, porque felizmente a pessoa se cala imediatamente antes que eu me transforme em Moon-há.

Regra número três: não permita que usem o seu santo nome em vão. Sim, plagiei um dos mandamentos da Lei de Deus, e transcrevo uma parte em seguida para não ter que plagiar: “porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão”. Entenda, não posso permitir que me acusem de algo ao qual eu sou completamente inocente. Odeio esse tipo de injustiça. Posso até ignorar as injustiças que ocorrem no mundo, mas ignorar injustiças que ocorrem comigo, jamais! Eu me julgo uma pessoa justa e quero que sejam justos comigo, caso contrário, sofrerá por ter um inimigo como eu, meu desdém será pavorosamente terrível!

Regra número quatro: você tem um cérebro, é possuidor do livre arbítrio e sabe discernir sobre o que é certo ou errado, aprenda a tomar você mesmo as suas próprias decisões. Não deixe as decisões da sua vida serem decididas por outras pessoas. Procure quebrar o grau de dependência que há entre você e os outros. Seja autônomo em sua própria vida. Aprenda aquela malcriação de criança “a vida é minha e eu faço o que quiser”, faça o que quiser, apenas peço para que, o que quer que faça, seja o melhor para você e torço para que o que for melhor para você que seja o melhor para todos. A sua vida tem que ser dominada por você e não por milhares de outras pessoas. Não deixe de fazer algo simplesmente porque alguém emitiu uma opinião contrária. Na dúvida sobre o que é certo ou errado, o melhor ou o pior, o que fazer ou o que não fazer, faça “pesquisas”, pode até ser pesquisas de opinião, mas não necessariamente você tem que aceitar o que os outros dizem.

Evite usar o seu “coração” para tomar decisões. O coração serve para você se apaixonar, fazer loucuras, matar, ativar seus impulsos primitivos... Decisões devem ser tomadas por nosso “cérebro”, somos seres racionais, não unicamente movidos por impulsos emocionais. Poeticamente é lindo ouvir alguém dizer “ouvi meu coração e foi melhor pra mim”. Manual de sobrevivência na selva: meus interesses em primeiro lugar, depois os interesses alheios. Tenha vontades próprias, tenha pulso forte, seja você do jeito que você quer e não como querem que você seja.

Regra de número... Já me perdi nas contas! Não perca o seu precioso tempo discutindo assuntos que não fazem a mínima importância para a sua vida. Pouco importa ser politicamente de esquerda, centro ou direita. Políticos são todos iguais. Pouco importa ser Cristão, Protestante ou Testemunha de não sei o que, ninguém sabe absolutamente nada sobre os mistérios de Deus, apenas supõe-se algo sobre Ele fundamentados em um livro passível de milhares de interpretações e dúvidas quanto a veracidade de seus escritos.

Não discuta com Evangélicos sobre religião. Não discuta religião com ninguém, quase sempre acaba em desavenças... Não seja fanático por time de futebol. Futebol tem um pouco de religião e política. Pouco importa se o seu time do coração vai ganhar ou perder, pouco importa se a Seleção Brasileira de Futebol vai ganhar o campeonato mundial, nada mudará em sua vida – a não ser o gozo na hora do gol – vista a camisa do seu time mas não morra por ela. Pouco importa se o brasileiro ou o alemão irá ganhar a corrida. Um deles irá ganhar, você não. Não torça desesperadamente para time algum ganhar o jogo. Invista em você e tente ganhar o jogo da sua vida. Torça por você mesmo.

Torça por aqueles que você ama, evite amar sem reciprocidade, ame se for amado, caso contrário será sacrifício. E sacrifício serve apenas para aqueles que desejam virar mártir e ilustrar o altar de alguma igreja. Não queira ser nenhum santinho... Entenda que o processo de canonização é muito rigoroso, provavelmente o Papa irá rejeitar o seu pedido. Deus não vai ajudar a você a conseguir o que deseja (já disse em capítulos anteriores que Ele não é um gênio da lâmpada), o máximo que ele pode fazer é ajudá-lo a acreditar que você é capaz. Você pode até ter fé em Deus – mas jamais se esqueça de ter fé em você mesmo. Quem sabe tendo fé em você, não conseguirá realizar alguns milagres e... Advinha?! Você será beatificado porque o Senhor vai derramar o seu amor!

Quando Deus enlouqueceu, resolveu criar a humanidade. A loucura faz parte do genoma humano. Felizes os loucos, herdeiros da razão. Estamos todos presos em um imenso hospício. Todo mundo tem problemas psicológicos, algum tipo de transtorno, um trauma de infância, um medo, desilusão, um tique-tique nervoso, alguma mania, qualquer que seja... Olhe a sua volta, veja quantos loucos há em seu mundo. O vendedor de frutas, o médico, o padeiro, o policial da esquina, sua mãe, a vizinha, seu professor do cursinho, aquela atriz da tevê, o seu namorado, a sogra, o motorista do seu ônibus, você mesmo e até mesmo eu... Loucos, loucos, loucos... Na mais imperfeita razão, gozando da mais plena insanidade mental. Portanto, não tente entender as pessoas, as razões pelas quais cada uma opta por viver, apenas viva a sua vida, a sua loucura particular.

4 comentário(s):

Anônimo disse...

mtooooo bommmm mtoooo bommmm]fiquei até sem palavras!!
enfim mtoooo bommmm o texto.

Gigio disse...

"Quando você fala ao “vento” ele normalmente distorce suas palavras, às vezes intensifica, outras amenizam. Não fale com o “vento”, fale diretamente à pessoa."

Por isso, meninos, aprendam: Nunca confiem no vento das onze!

Cinara Lisboa disse...

Sabe do que eu lembrei?!

Deu uma música do Chico Amaral, cantada pelo Skank em seu primeiro Cd...

"Deixe que eu respire o ar livre da rua...Sem parar pra discutir...Deixe que eu passeie minha loucura, gentilmente por aí..."

Adorei!

Bjks,

Su disse...

Tenho medo dos normais...
Mas minha loucura ainda de oculta. E a sua? visível, oculta ou normal?