terça-feira, 3 de junho de 2008

Capítulo 12: O Último Capítulo


Vou compartilhar um pouco do meu existencialismo com você. Tenho uma notícia boa, uma ruim e outra trágica. A notícia boa é que você está vivo – aproveite enquanto há tempo – a ruim é que você vai morrer e a trágica é que eu também vou morrer um dia (oh Deus, que tragédia!). De que maneira não sabemos, quando também não, se vai doer, não importa, a morte anestesia.

Sempre acreditamos que a morte passa longe das pessoas que fazem parte do nosso círculo. Os outros sempre morrem. A gente não. Pois somos os protagonistas da nossa história. Os figurantes podem ir embora, eles são os que fazem parte das estatísticas “em cada dez fumantes, oito morrem”. Oito figurantes, os dois protagonistas sempre vivem. Acidente fatal na avenida “x” só acontece entre figurantes. Número de homicídios está assustador, quem morre? Apenas os figurantes. Até que um dia, num maldito dia, a gente deixa de ser protagonista e passa a ser um mero figurante.

A morte é um inconveniente inevitável e inescapável. Um palavrão divino temido por todos, a maldição proferida por Deus para a humanidade, a sentença para todo o mal que há na Terra, o momento sádico preferido dos anjos. Tememos a morte. Morte é sofrimento aos que ficam, não sabemos quando será a nossa hora, mas sabemos que ela virá. Brincamos de viver, outros levam a brincadeira tão a sério que realmente esquecem da vida...

Quem somos nós para contestar Deus? A morte é uma lei e não pode ser revogada nunca. Antes de nascer, aceitamos esta condição: morrerás. E não adianta você dizer que não sabia de nada... Entenda que seus pais tinham uma procuração com o seu nome.

Aos poucos, a morte vai tirando um a um da vida. Contente-se em saber que você irá chorar diversas vezes antes de finalmente fazer chorar (ou não, nunca se sabe...). Tradicionalmente não aceitamos a morte, a nossa cultura é de sofrimento, dor, lágrimas, desespero, tristezas... Mas a morte é o curso natural da vida (sem escapatórias) – nascer, crescer, reproduzir e morrer – aprendemos isso na pré-escola (na disciplina “introdução ao existencialismo para crianças”).

Por que ficamos tristes, por que sofremos, por que choramos? O dia da morte é o dia mais especial para o ser humano. É o dia em que percebemos que o amor é a riqueza mais valiosa da vida e que “vida” é tudo o que precisamos para viver, não precisamos de riquezas materiais, de automóveis, mansões, roupas novas... Não, não precisamos de nada, só precisamos de vida – o sopro da vida – presente de Deus.

A morte é a última chance que você tem para descobrir o amor ao próximo. Não espere perder alguém para descobrir que o amava...

7 comentário(s):

Mariana MÃE disse...

Grandiosa reflexão!
Você precisa dar um fundo musical para este seu texto e publicar no youtube. Está ´perfeito, à altura do que Pedro Bial escreveu, sobre o mesmo tema, verifique no youtube!
Vou aguardar você incluir na fonte referida para fazer o link nos meus site.
PARABÉNS!!!

Talita disse...

Amei rico...
Pq vc nunca falow do seu blog???
Aff moxo... coisas boas merecem ser divulgadas...
"na disciplina 'introdução ao existencialismo para crianças'"
[:D]

crhystall disse...

Muito bom, menino vc ta d++++.

Antonio disse...

Isto é muito profundo, porém um tanto deprimente, por que em Deus estamos sempre todos os dia entregues à MORTE, mas, renovamos a Fé e não precisamos pensar nisso, por que ficaremos presos aos sentimentos de medo e sofrimento, e nós como Crentes vivemos para servir a Deus e não a Carne.
Como seu Amigo digo-lhe, está bem escrito porém espiritualmente fraco, mas nos é bom para divergir, essas coisas nos levam a boas constituições!
Parabéns!

Talita disse...

Esses questionamentos q vc faz à cerca da morte, constantemente, me faço tbm. Penso - e penso mto-nela. Achei surpreendente vc falar da dor, durante quase todo o texto e, ao final dele, mencionar o amor - o amor ñ somente d homem e mulher, mas o amor no sentido mais lato da palavra.

(comentário do orkut)

Talita disse...

Quanto ao q vc diz em seu "Último capítulo" sobre o fato d acharmos sempre q td d ruim só acontece com os "figurantes" q existem por aí, em nossa vida real, e q a VIDA é a única coisa d q precisamos para VIVER, assino embaixo... No fundo, no fundo, todos sabemos q é isso mesmo... Porém, ñ nos lembramos disso em nosso dia-a-dia.

(comentário do orkut)

Talita disse...

Perdemos tanto tempo com coisas "pequenas", perdemos tanto tempo trabalhando para conseguirmos comprar um carro, uma casa bacana e/ou coisas do tipo, q nos esquecemos do principal: VIVER! Se ñ dispomos desses "luxos", aproveitemos então aquilo d q já temos posse: nossa vida! Engraçado é q, qdo conquistamos essas coisas todas, nem damos mais tanta impoprtância assim a elas. É a eterna insatisfação humana...

(comentário do orkut)