terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Capítulo 04: E no futuro você morrerá


E no futuro você morrerá de tanto rir das “desgraças” que lhe ocorreram no passado. Você verá o quanto foi infantil quando brigou com aquele seu colega de trabalho por uma discussão qualquer. Você se deliciará ao relembrar de fatos que um dia lhe foram um tabu. Verá o quanto foi um idiota por ter pensamentos tão ultrapassados, por ter sustentado opiniões que hoje não condizem mais com a realidade ou com seus atuais pensamentos.

Isso porque, além de sádicos, parece que somos masoquistas. Gostamos de sofrer para no futuro lembrar do passado e sadicamente soltar imensas gargalhadas de nós mesmos.

Quantas vezes você já não lembrou de algo que lhe foi vexatório e começou a rir sozinho?

Você viu que tudo deu certo e que sempre dá para nos superarmos? (lindas palavras, agora sou co-autor de “O Segredo”).

Tudo é muito efêmero. Aquela preocupação que você tinha quando estava no colegial hoje é tão banal que faz você se sentir um idiota. E por isso, rir de si mesmo.

Uma vez um amigo brigou com certa pessoa. Foi uma grande confusão e todos foram parar na delegacia. Hoje, quando relembra da briga, dá gargalhada. E mais que isso, sabe que, se realmente estivesse pensando racionalmente e não movido pela emoção, nada daquilo teria acontecido.

E é por isso que muita gente morre. Eu já vi brigas serem travadas por motivos banais. A quase todo instante há atritos entre as pessoas, cada qual se achando donos da verdade ou os “seres superiores” que devem ser reverenciados sempre. Aqueles os quais sempre querem que você abaixe a cabeça para tudo.

Se você fizer um levantamento numa página policial de um jornal qualquer verá que a grande maioria dos casos envolvendo brigas e mortes foram por motivos banais.

Tente evitar, ao máximo, se envolver em brigas. Mas não seja um completo idiota! Brigue quando tiver que brigar... Só não brigue por motivos banais, não vale a pena mesmo, e depois, você verá que é ridículo. Brigue por seus direitos, brigue quando quiserem pisar em você, brigue para sobreviver, brigue para se defender... Mas não brigue pelo simples prazer de ofender. Quando for a hora de brigar, não se atenha em pudores, brigue e arrebente! Esteja preparado sempre para não sofrer as conseqüências negativas da ocasião. Brigue quando achar que está com a razão. Mas não minta para si, querendo estar com a razão, sabendo que no fundo, você está errado. E não brigue comigo (irá amargamente se arrepender!).

Admita quando possível sua derrota. Se estiver errado, ceda. Se achar que não está errado, ou se realmente não está, e a outra parte não “arreda” o pé, brigue, brigue mesmo! Mas não estou dizendo “brigue” no sentido de você esmurrar, puxar o cabelo, dar chutes... Não há apologia à violência física. Eu sou contra a violência, principalmente a violência passiva... Será que a violência física é realmente necessária? Tenho certeza que não. Não há vencedores quando partimos para a violência extrema, só há perdedores (e "você não quer ser um perdedor", lembra?)

Antes de já sair atacando como um ninja procure o diálogo. Ao brigar verbalmente não se deixe levar pela emoção. Procure ser racional, não ofenda ao menos de início, procure ser claro e objetivo quanto ao seu ponto de vista ou quanto ao problema gerador do conflito. Seja tranqüilo. A razão consegue vencer a emoção. Emocionalmente, não conseguimos agir corretamente, nos tornamos surdos, cegos e falamos coisas por vezes desconectadas, sem sentido, ou tendemos a repetir o que já dissemos antes, o que contribui para acirrar o conflito e não para solucioná-lo.

Mas se você estiver usando a razão e ver que o seu oponente está “surdo” e guiado pela emoção... Há chances de você partir para a agressão física, na hora de uma briga é difícil segurar os institos selvagens inerentes à natureza humana, então, o melhor é dar um tempo. Mas o natural, é que, por que você está com a cabeça no “lugar”, as chances de vencer são suas, pois saberá manipular melhor a situação, jogar com as palavras, o que lhe possibilitará ter controles sobre o elemento emotivo.

O emotivo tende a se desviar do real problema. Ele tenta atacar com todas as armas. Se o problema é algo relacionado ao trabalho, ele certamente irá tentar desviar para alguma particularidade sua, alguma fraqueza, ou uma especulação fraudulenta do tipo “você se importa com motivos banais, devia se importar com o que sua mulher anda fazendo”. A tentativa é de desviar e causar um desconforto. Se você entrar no jogo dele, ficará fraco. A melhor resposta deve ser anulando o que ele disser que seja desvirtuado do motivo da discussão. Para o exemplo citado, você poderia dizer “eu não sei o que isso tem haver com a nossa discussão inicial, você está tentando desviar o problema”. O emotivo não conseguirá, se você se mantiver racional, vencê-lo. E quem sabe, ele sim, partirá para o ataque físico caso queira vencer. Afinal, você está diminuindo as forças dele. Se você se entregar a emoção, ele vencerá, pois com o mínimo de “racionalismo” dele, é justamente isso que quer que você faça. E assim, ele conseguirá manipulá-lo. O racional pode fazer o emotivo chorar, deixar debulhar-se em prantos sem precisar esmurrá-lo!

Não fique só na “malhação” cerebral, estudando apenas; se você é um intelectual, saiba que isto é ótimo (as mulheres adoram nerds!). Mas aprenda alguma técnica de luta ou de autodefesa, não seja só um “ser que pensa”, seja também um “ser que esmurra”. Mesmo que você jamais vá brigar em sua vida, aprenda! E lembre-se que a violência é totalmente condenável. Não pratique a violência.

Você quer passar parte da sua vida agindo feito um idiota evitando sempre os conflitos? Não seja imbecil, se determinada pessoa não se importa com você, por que se importar com ela? Não podemos evitar os conflitos. Saiba como se portar diante de um, mas jamais o evite. Se algo deve ser feito, que faça! Os conflitos existem para serem resolvidos e não para serem ignorados.

E quer saber de uma? No futuro você morrerá... E brigando desse jeito a sua expectativa de vida diminui consideravelmente... Paz na terra e amor ao próximo é fundamental. (hey, mas o próximo sou eu!).

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